sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PRECONCEITO

Erick Calistrat
Fui para a faculdade ontem (dia 07/08) de kilt por dois motivos. Primeiramente, para chamar atenção, acho que isso todo mundo já sabe, né. E segundamente, e obviamente mais importantemente (não estou mentindo): Eu quis sofrer preconceito.

Depois de ler uma matéria sobre transgêneros (não confundir com transgênicos) e sobre o Laerte, cartunista brasileiro famoso que resolveu se vestir como mulher aos 65 anos de idade, fiquei muito chocado, mas muito curioso. Procurei mais sobre e encontrei uma entrevista com ele no programa Roda Viva, na TV Cultura. Naquela entrevista, uma repórter fez uma pergunta muito interessante e perturbadora, que foi mais ou menos assim: "Larte, você fazia parte de um grupo que praticamente é imune, né. Branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família. Como é perder completamente essa barreira?". Eu fiquei muito surpreso em ver que, tirando a parte do "pai" e do "bem sucedido", a descrição batia com a minha própria! Eu nunca havia parado para pensar o quão fácil e livre de preconceitos a minha vida havia sido até então, sem eu nunca ter feito NADA para "merecer" isso.

Desde então tenho lido muito sobre preconceito, homofobia, transgêneros, exclusão, minorias, cotas. Resolvi aproveitar o presente que minha namorada trouxe para saber como uma pessoa NADA comum se sente em espaços públicos. Estava usando um adereço simples, comum em outros países, símbolo até de status social em alguns lugares, mas extremamente estigmatizado no Brasil. Um kilt é uma saia, e não interessa de onde vem: Se você é homem, você não pode usar saia, senão você é viado. E viados são sujos. Foi mais ou menos isso que eu quase pude escutar dos olhares, cutucadas, risadas e comentários das pessoas nas ruas, no ônibus, no metrô, em casa.

Convido a todos que se acham inteligentes, maduros e sem preconceitos a andar de mãos dadas, ou até abraçado com alguém do mesmo sexo. Ou com uma roupa muito incomum. Ou até mesmo aparentando qualquer defeito físico. Quando você se vê rodiado de pessoas te olhando e fazendo questão de mostrar que estão insatisfeitas com sua aparência, você percebe como é mais fácil ser branco, magro, classe média, heterossexual, bem sucedido, pai de família.
 
 
Via Facebook

EU E TU

















            Por Noelia Alves

Mestre!
Mestre meu.
O que posso eu fazer
Para ser mais um dos teus?

Um discípulo
Um amigo
Um irmão
Para juntos andarmos
E vivermos em união.

Mestre!
Tu me amas?
Vela por mim.
Mestre!
Tu amas a mim?
Ensina-me nos caminhos
Retos andar.
Mestre,
Tu a mim amas?
Quero para sempre te amar.
Mestre!
Eu sei que me amas
Então, cuida de mim.

Sou uma menina
Sou uma jovem
Que necessita de Ti.

Sou eu
Sendo eu
Quero viver junto a Ti
Feito Eu e Tu
Tu e Eu.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

LEI MARIA DA PENHA COMPLETA SEIS ANOS



Mais conhecida como Lei Maria da Penha, a Lei 11.340 – que coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher – completa seis anos nesta terça-feira (7/8). Faz aniversário com muitos motivos para ser celebrada. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que a norma vem sendo de fato importante instrumento na prevenção e no combate à violência contra a mulher. Desde que a legislação entrou em vigor até dezembro do ano passado, as varas e juizados especializados em todo o Brasil registraram a instauração de 685.905 procedimentos para coibir esses crimes.

O número foi divulgado durante a VI Jornada da Lei Maria da Penha, realizada em abril deste ano pela Comissão de Acesso à Justiça e à Cidadania, órgão do CNJ responsável pelas iniciativas de combate à violência contra a mulher. E aponta crescimento de aproximadamente 100% em relação ao total de procedimentos registrados desde a criação da lei até junho de 2010, quando havia sido organizado o primeiro levantamento. Na ocasião, o CNJ havia registrado 331.796 medidas instauradas para evitar ou punir os crimes cometidos no âmbito familiar e doméstico, desde a criação da lei, em 2006.
Segundo o levantamento, em junho de 2010 as varas e os juizados de violência contra a mulher julgaram 110.998 processos. Em dezembro de 2011, a produção subiu para 408.013 ações julgadas. A quantidade de prisões em flagrante também aumentou. Passou de 9.715 para 26.416 no mesmo período, segundo os dados consolidados pelo CNJ a partir das informações encaminhadas pelas Coordenadorias dos Tribunais de Justiça especializadas em violência doméstica e familiar contra a mulher.

Índice alto – O presidente da Comissão de Acesso à Justiça e à Cidadania do CNJ, Conselheiro Ney Freitas, afirma que a Lei Maria da Penha chamou a atenção para o problema e que os ganhos que proporcionou foram diversos. No entanto, é preciso avançar. O Mapa da Violência – pesquisa conduzida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), órgão do Executivo Federal parceiro do CNJ – mostra ser muito alto o índice de assassinatos de mulheres no Brasil.

De acordo com a pesquisa, de 1980 a 2010, aproximadamente 91 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, sendo 43,5 apenas na última década. O Espírito Santo lidera o ranking nacional, com taxa de 9,4 homicídios para cada100 mil mulheres. Na sequência estão Alagoas (8,3), Paraná (6,3), Paraíba (6,0) e Mato Grosso do Sul (6,0). (Veja a tabela)

Ambiente doméstico – Segundo o Mapa da Violência, 68,8% dos incidentes acontecem na residência, o que leva a conclusão de que é no âmbito doméstico onde ocorre a maior parte das situações de violência experimentadas pelas mulheres. Diante desse fato, Ana Teresa Iamarino, coordenadora-geral de acesso à Justiça e combate à violência da SPM, defende cada vez mais a propagação da Lei Maria da Penha.

“A Lei 11.340 é fundamental por dois aspectos. Primeiro por garantir mecanismos de proteção, ao voltar atenção para as mulheres, para que elas mesmas possam romper com o ciclo de violência. Segundo por trazer a necessidade de se punir o agressor. Dessa forma, a lei deixa bem claro que a violência não será tolerada sobre nenhum aspecto”, afirmou.

# CNJ

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ARROZ E FEIJÃO COM MISTURA



 
 
 
 
 
                   Por Noelia Alves
Quem se junta à cobra fede a insosso,
nem sal põem gosto,
Quanto mais bom tempero.
Eita! Astúcia sem rumo,
mas se é para bem dos dois,
Assim seja: “Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
Sou eu assim, sem você...”

Eleição perdida, campanha indeferida,
Sou eu assim sem você.

Se é para o bem da união
Façamos o que convém
Foi bom para ti
Para mim também.

E o povo com cara de pastel
Assisti tudo no trenzinho da cidade.

TUA GRAÇA MEU BÁLSAMO


No íntimo sabemos que a verdade é verdade. Ignorar é melhor que praticar, é mais cômodo, só assim vive o desejo sem arrependimento. Muitas justificações existem, mas sem a verdade não existe justificação.

Até que me provem na verdade a verdade continuarei a questionar:

Por que será que esse espinho vive a me assolar?

- A graça é meu bálsamo, e Deus é meu Juiz, por uma caso existe outro? Juízo de Homem não me causa espanto.

Já pedi a Deus para arrancar, mas parece que Ele insisti em deixar, penso que seja para me lembrar: Somente Eu te justifico, então concluo, questiono por vaidade de vaidade.

[Noelia Alves]

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

FRASES DO ESCRITOR AMERICANO GORE VIDAL

Humor e inteligência: leia frases do escritor americano Gore Vidal


Publicado originalmente na Folha de S. Paulo
Leia frases do escritor americano Gore Vidal, que morreu nesta terça-feira (31) aos 86 anos em Los Angeles.
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“Mick Jagger ficou hospedado comigo três dias, mas não me lembro o que ele comeu lá em casa. Nós temos cozinheiro. Ele tem um diamante no dente, o que foi a primeira coisa que notei. Disse-lhe que tinha alguma coisa presa nos dentes. Ele respondeu: “É, é o meu diamante”. E eu disse: “Não incomoda?”
*
“Os americanos precisam sempre acreditar em alguma coisa. Sabem como a sodomia entrou nos nossos códigos? No começo, as leis da igreja proibiam tudo o que fosse sexo mas não diziam nada de específico sobre sodomia. Segundo Procópio, o imperador Justiniano, que estava codificando as leis, vivia às turras com o arcebispo de Constantinopla, cujo maior prazer era enrabar meninos. Então, o imperador condenou tais práticas no seu código, dizendo serem contrárias à lei de Deus. E citou a Escritura o melhor que pode. Acrescentou, como todos sabemos, que a sodomia é a causa principal dos terremotos. Assim sendo, julgo muito apropriado que a costa oeste mergulhe no Pacífico dia destes, em nome do imperador Justiniano.”
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“Na Europa, ‘Myra’ é levado a sério. Em consequência, imagino antecipadamente que os entrevistadores querem discutir o livro com seriedade. Então, de repente, lembro-me de recomeçar tudo. Explicar o que é literatura.”
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“Já que o cinema falado está mais próximo do romance do ponto de vista da forma (…) ocorre-me que a geração literária que está surgindo poderia ver o cinema como seu tipo específico de romance, um romance a ser criado por eles com a colaboração de técnicos, mas sem a interferência do Diretor, esse plagiário-espertalhão que há vinte anos domina, explora e (ocasionalmente) realça uma forma de arte que ainda está em busca de seus verdadeiros autores.”
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“Agora um pouco de moralismo ao estilo americano. A morte de Mishima é explicável. Certamente ele nos preparou, e a ele próprio, para essa morte. De maneira extremamente dramática, a flor perecível colhe-se a si mesma. Sem conotações políticas. Mas o que dizer das flores artificiais que deixou atrás de sim?”
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“Tecnicamente, os romances de Mishima não têm ousadia. Isso não é uma falha de modo nenhum. Mas uma observação que se poder fazer sobre sua arte é que ele nunca escreveu nada de exclusivamente seu. Satisfazia-se muito depressa com modelos bem conhecidos e de nenhum modo os melhores.
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“Ao analisar a produção literária de 1965, Miss Sontag achou “difícil pensar em algum livro (em inglês) que exemplificasse de modo central as possibilidades de ampliação e complicação das formas da literatura em prosa”. Esse desejo de “ampliar” e “complicar” o romance tem um certo quê de loucura. Por que não minimizar e simplificar?
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“Embora as noções que temos sobre o que constitui um comportamento sexual correto apoiem-se geralmente em texto religiosos, esses textos são invariavelmente interpretados pelos governantes com o objetivo de manter os governados sob controle. Qualquer atividade sexual, intelectual, recreativa ou política que possa diminuir a quantidade de carvão extraído de uma mina, o número de pirâmides construídas, a quantidade de comida de má qualidade produzida, será proscrita através de leis que, por sua vez, apoiam-se em revelações divinas passadas aos homens por qualquer deus ou deuses eventualmente em moda no momento.”
(Extraídos de entrevistas e do volume “De Fato e de Ficção” [Companhia das Letras])
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“Eu nunca perco uma chance de fazer sexo ou aparecer na televisão.”
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“Narcisista é alguém mais bonito que você.”
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“Qualquer americano preparado para disputar a presidência deveria ser, automaticamente, inelegível para isso, por definição.”
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“A inveja é o valor central do estilo de vida americano.”
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“Toda vez que um amigo tem êxito, eu morro um pouco.”
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“Os Estados Unidos foram fundados pelas pessoas mais brilhantes do país — e nós não as vimos desde então.”
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“Andy Warhol é o único gênio que eu conheci com 60 de QI”
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“Cinquenta por cento das pessoas não vão votar, e cinquenta por centro não leem jornais. Espero que sejam os mesmos cinquenta por cento.”
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“Alguns escritores são dados à bebida, outros, ao público.”
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“Estilo é saber quem você é, o que você quer dizer e não dar a mínima para nada.”
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“Quanto mais dinheiro um americano acumula, menos interessante ele fica.”
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“As quatro palavras mais bonitas da nossa língua comum: Eu te disse.”
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“Nós deveríamos parar de andar por aí dizendo que somos a maior democracia do mundo, quando nem uma democracia somos. Somos um tipo de república militarizada.”
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“Não existe essa coisa de pessoa homossexual ou heterossexual. Só existem atos homossexuais ou heterossexuais. Muitas pessoas são uma mistura de impulsos –se não práticas.”
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(Extratos de entrevistas, publicados pelo “Guardian”)
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