sexta-feira, 30 de novembro de 2012
AMOR DANADO DE BOM
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
NOSSOS CORPOS - UM
EM MEIO AS PALAVRAS
Por Noelia Alves
FOGO-PAGOU
terça-feira, 27 de novembro de 2012
POETA ARRETADO DE BOM
Sabe o gosto que ela tem...”
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.”
NAS ANDANÇAS DA VIDA COM GONZAGÃO
| Cena de “Gonzaga – De pai para filho” |
Marina Silva
Sempre digo que cheguei à cidade analfabeta, aos 16 anos, mas com Ph.D em saber narrativo, pela vivência em minha família de seringueiros, nordestinos que buscaram as terras altas da floresta. Saber que se entretece num complexo sistema de conhecimentos tradicionais ligados aos recursos do ambiente, de onde se extrai, além dos meios de vida, o sentido e a razão de viver.
Meus pais juntaram, aos saberes da árida caatinga, outros tomados aos índios pelos desbravadores. Os povos da floresta fornecem os meios de sobreviver nos sertões úmidos, mas lhes é retirado até o chão onde produzem o precioso saber.
Sou filha desse mundo que entrelaça tempos, lugares, modos de vida e histórias. Tudo isso reencontrei no lindo filme de Breno Silveira sobre as vidas de Gonzagão e Gonzaguinha.
Escancarava-se meu riso nas cenas de delicado humor matuto e a mesma força arrebentava as comportas das lágrimas nas cenas do amor perene nos arrochados nós de afeto. Como na volta à velha casa de taipa de Januário, pai e filho abraçados na luz do amor –que a dureza da vida e longo tempo não apaga– entre a janela e o candeeiro.
Voltar no tempo não carece de túnel, bastam os cantos da lembrança. O manejo quase insustentável da introspecção que sonda a alma. O riso que disfarça e acalma os medos. As lágrimas que lavam as dores, até as que esquecemos.
Volta à casa, no meio da mata alta,/De arranha-céus ou caatinga rasteira,/Como fazê-la, sem a besteira/De não respeitar os oito baixos:/Do chão que nos deu abrigo,/Da voz que gerou o sentido/Que nos fez ir sem nunca sair de lá?
No silêncio, abri a reportagem de minha vida que Marília César escreveu. Revisitei antigas emoções.
“Ansiosa, engoliu em seco ao embarcar para aquela viagem sem volta, e fez de tudo para não chorar. Se partisse chorando os outros poderiam achar que estava fugindo, ou que havia aprontado alguma coisa e sido expulsa de casa. Precaução moral. Freud explica: o desejo de salvaguardar o nome do pai.
A maior parte das pessoas no ônibus era gente conhecida. Subir no ônibus sozinha, com o saco nas costas, e ainda por cima chorando? Engoli o choro, sentei, colei a testa no vidro e fui olhando para o mato correndo velozmente, como se a velocidade das folhas fosse uma espécie de entorpecimento, que tirava o meu medo, a minha saudade. Durante um bom tempo fiquei assim. Quando foi escurecendo e ninguém mais podia me ver, então comecei a chorar.”
Cantam os Gonzaga: “minha vida é andar por este país/pra ver se um dia descanso feliz”. A vida deles é a minha, de todos os brasileiros que viajam no tempo em busca de saúde, trabalho, conhecimento, felicidade. E vão tecendo saberes e histórias, poesias e cantigas. A vida e o sentido dela.
via Folha de S.Paulo
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
NIVER DA ALYNE
| Chegada - Surpresa... |
| Eu recitando o cordel. |
| Nosso diretor Paulo Soldi entregando nosso presente. |
| Eu e Alyne |
| Primeiro pedaço de bolo para dona Risalva |
| Galera empolgada para comer a torta... |
| Torta de morango |
| Compramos um hidrante de ameixa do Boticário - Eita Junior uma delícia... |
LEMBRANÇAS DE PAINHO 2 – FELICIDADE
Painho, eu fui por Deus escolhida para estar lá!
Quando cuidei de painho no hospital, em um momento de carinho, ele me disse com uma voz firme, ainda que cansada:
“Minha filha, eu peço a Deus que você seja muito feliz, porque eu tive sede e você me deu água. Quase morri de sede.”
Essas palavras atravessaram minha alma.
Eu vi no seu olhar triste e angustiado a seca castigando seus pulmões. Vi, em meio ao esforço de cada respiração, a resistência de um cabra valente, com um desejo imenso de viver mais alguns dias.
Mas, mesmo diante da dor, ele nunca desanimou.
Em um momento, olhou para mim e disse:
“A morte está riscando aqui perto de mim.”
Essa frase nunca saiu da minha memória.
Seu olhar triste, sofrido e silencioso permanece vivo em minhas lembranças. Mas junto com a dor, também carrego a força das suas palavras.
As palavras que me desejavam felicidade.
Elas me sustentam até hoje.
Quando a vida tenta me abalar, eu me lembro da sua coragem. Lembro da firmeza com que encarou a morte, sabendo que ela estava perto. E, ainda assim, em nenhum momento se entregou.
Você permaneceu forte até o fim.
A morte apenas o alcançou em um momento de descanso.
Hoje, choro não apenas de saudade, mas também de gratidão.
Gratidão por saber que, mesmo do seu jeito, em um breve momento, você demonstrou amor.
Gratidão por ter podido cuidar de você, ainda que eu saiba que, em muitos momentos, não senti que tinha escolha.
Gratidão por ter contribuído, ainda que por poucos dias, para prolongar sua vida.
Talvez eu também buscasse, no cuidado, algo que sempre desejei receber: amor.
E isso também faz parte da verdade.
Outros netos tiveram sua atenção, seu carinho e sua presença em muitos momentos. Ainda assim, fui eu quem permaneceu ali, ao seu lado, naquele leito de hospital.
E fui eu quem recebeu suas palavras.
Levo comigo sua firmeza.
Se estou feliz ou triste, lembro da sua voz dizendo:
“Minha filha, eu peço a Deus que você seja muito feliz.”
E eu acredito que aquelas palavras carregavam verdade.
Seu falar tinha firmeza.
Você sempre foi tinhoso, caprichoso e forte à sua maneira.
Lembro que, quando foi advertido pela polícia e ouviu que poderia ser preso se continuasse bebendo e causando confusão, respondeu com a mesma teimosia que marcou sua vida: prometeu que nunca mais beberia nada que saísse da boca de uma garrafa.
E assim fez.
Cumpriu até o fim dos seus dias.
Havia força em você.
Uma força bruta, difícil, mas real.
Quem ousará dizer que não sou feliz, se meu painho declarou que eu seria?
Aqui estou.
Feliz… e às vezes triste.
Porque a tristeza também faz parte da vida.
Ela visita.
Mas felicidade é morada.
Por dentro, eu sou feliz.
Porque um dia meu painho olhou para mim e profetizou felicidade sobre a minha vida.
E eu escolhi acreditar.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
MUDO-MUDO-MUDANÇA!
Tudo muda


