sexta-feira, 23 de novembro de 2012

LEMBRANÇAS DE PAINHO 2 – FELICIDADE



Escrito em: 08 de novembro de 2012  

Quando no hospital cuidei de painho, com carinho ele falou bem assim: “Milha filha eu peço a Deus que você seja muito feliz, porque eu tive sede e você meu deu água, quase morri de sede” Eu vi no seu olhar triste e angustiante a seca castigando seus pulmões, e em um esforço intenso a insistência de um cabra valente o desejo em viver mais alguns dias, no entanto ele nunca desanimou, Ele olhou para mim e disse:” A morte estar riscando aqui perto de mim” O seu olhar triste e penoso não sai das minhas lembranças, a suas palavras me desejando felicidade me dão forças para enfrentar as adversidades e se vida quiser me abalar vou lembrar da sua coragem em enfrentar a morte e saber que ela estava perto, entretanto em nenhum momento se entregou, ela  salteou ele em momento de descanso.

Choro de felicidade em saber que meu painho me amava e que pude contribuir para que vivesse mais alguns dias. Para sempre eu te amarei e feliz serei, porque suas palavras tinham firmeza o seu falar demonstrava força.

Quem ousará dizer que não sou feliz, se ele disse eu vou ser, aqui estou eu feliz, e digo se me ver triste faz parte da vida, porém por dentro eu sou feliz.

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Atualizado em 23 de junho de 2026

Painho, eu fui por Deus escolhida para estar lá!


Quando cuidei de painho no hospital, em um momento de carinho, ele me disse com uma voz firme, ainda que cansada:

“Minha filha, eu peço a Deus que você seja muito feliz, porque eu tive sede e você me deu água. Quase morri de sede.”

Essas palavras atravessaram minha alma.

Eu vi no seu olhar triste e angustiado a seca castigando seus pulmões. Vi, em meio ao esforço de cada respiração, a resistência de um cabra valente, com um desejo imenso de viver mais alguns dias.

Mas, mesmo diante da dor, ele nunca desanimou.

Em um momento, olhou para mim e disse:

“A morte está riscando aqui perto de mim.”

Essa frase nunca saiu da minha memória.

Seu olhar triste, sofrido e silencioso permanece vivo em minhas lembranças. Mas junto com a dor, também carrego a força das suas palavras.

As palavras que me desejavam felicidade.

Elas me sustentam até hoje.

Quando a vida tenta me abalar, eu me lembro da sua coragem. Lembro da firmeza com que encarou a morte, sabendo que ela estava perto. E, ainda assim, em nenhum momento se entregou.

Você permaneceu forte até o fim.

A morte apenas o alcançou em um momento de descanso.

Hoje, choro não apenas de saudade, mas também de gratidão.

Gratidão por saber que, mesmo do seu jeito, em um breve momento, você demonstrou amor.

Gratidão por ter podido cuidar de você, ainda que eu saiba que, em muitos momentos, não senti que tinha escolha.

Gratidão por ter contribuído, ainda que por poucos dias, para prolongar sua vida.

Talvez eu também buscasse, no cuidado, algo que sempre desejei receber: amor.

E isso também faz parte da verdade.

Outros netos tiveram sua atenção, seu carinho e sua presença em muitos momentos. Ainda assim, fui eu quem permaneceu ali, ao seu lado, naquele leito de hospital.

E fui eu quem recebeu suas palavras.

Levo comigo sua firmeza.

Se estou feliz ou triste, lembro da sua voz dizendo:

“Minha filha, eu peço a Deus que você seja muito feliz.”

E eu acredito que aquelas palavras carregavam verdade.

Seu falar tinha firmeza.

Você sempre foi tinhoso, caprichoso e forte à sua maneira.

Lembro que, quando foi advertido pela polícia e ouviu que poderia ser preso se continuasse bebendo e causando confusão, respondeu com a mesma teimosia que marcou sua vida: prometeu que nunca mais beberia nada que saísse da boca de uma garrafa.

E assim fez.

Cumpriu até o fim dos seus dias.

Havia força em você.

Uma força bruta, difícil, mas real.

Quem ousará dizer que não sou feliz, se meu painho declarou que eu seria?

Aqui estou.

Feliz… e às vezes triste.

Porque a tristeza também faz parte da vida.

Ela visita.

Mas felicidade é morada.

Por dentro, eu sou feliz.

Porque um dia meu painho olhou para mim e profetizou felicidade sobre a minha vida.

E eu escolhi acreditar.

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