quarta-feira, 10 de junho de 2026

High Ticket e a pobreza das conexões


Outro dia ouvi novamente a expressão da moda: High Ticket.

Ela aparece em palestras, cursos, mentorias, reuniões e redes sociais. Surge quase sempre acompanhada de promessas grandiosas, gráficos ascendentes e fórmulas para alcançar uma vida supostamente extraordinária.

Em sua origem, não há nada de errado. Trata-se apenas de uma estratégia de vendas para produtos e serviços de maior valor agregado. O problema começa quando a lógica do mercado decide ultrapassar as fronteiras dos negócios e se instalar no território das relações humanas.

E parece que isso aconteceu.

Vivemos um tempo curioso. Nunca se falou tanto sobre conexões e nunca foi tão difícil encontrar encontros genuínos. As amizades ganharam nomes corporativos. Os relacionamentos passaram a ser avaliados pelo potencial de retorno. O afeto foi transformado em ativo. E a companhia de alguém, não raro, passou a ser medida pela utilidade que ela pode oferecer.

Há uma inquietação permanente em parecer pertencer.

A foto com a pessoa influente.

A mesa do restaurante certo.

O vinho correto.

O carro adequado.

O evento indispensável.

A legenda cuidadosamente construída para demonstrar sucesso.

Tudo parece precisar comunicar alguma coisa. Tudo precisa sinalizar status. Tudo precisa provar valor.

Mas, curiosamente, fala-se cada vez menos dos valores.

Pouco se conversa sobre lealdade. Sobre gentileza. Sobre caráter. Sobre coragem. Sobre a capacidade de permanecer quando não existe nenhuma vantagem em ficar.

Talvez porque essas virtudes não rendam fotografias tão impressionantes.

As amizades, em muitos círculos, deixaram de ser lugares de descanso para se tornarem espaços de negociação. Não se aproxima porque gosta. Aproxima-se porque pode ser interessante. Não se escuta porque importa. Escuta-se porque pode haver alguma oportunidade escondida naquela conversa.

É exaustivo.

Sinto falta das relações sem estratégia.

Das conversas que não pretendem vender nada.

Das risadas que não geram conteúdo.

Do café sem objetivo.

Do vinho simples compartilhado sem a necessidade de registrar o momento.

Da oração feita em silêncio.

Da amizade que permanece mesmo quando não há nenhum benefício envolvido.

Talvez o verdadeiro luxo dos nossos tempos não esteja nos ambientes exclusivos nem nas experiências premium.

Talvez o verdadeiro luxo seja encontrar alguém que não esteja calculando vantagens enquanto conversa com você.

Alguém que não precise transformar tudo em negócio.

Alguém que ainda saiba apreciar pessoas antes de apreciar posições, patrimônios ou sobrenomes.

Não tenho nada contra o High Ticket.

Tenho receio apenas de que, na tentativa de atribuir preço a tudo, estejamos esquecendo o valor das coisas que jamais deveriam estar à venda.

E seria uma enorme pobreza descobrir, tarde demais, que as melhores coisas da vida nunca tiveram etiqueta.

Noelia Alves

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CHOCOLATE AO LEITE E UM BEIJO NA BUNDA




Pense num livro bom: “Um beijo na bunda” de Wellington Soares, um volume de crônicas capaz de fazer o leitor rir, desejar, imaginar, sonhar, refletir e senti uma série de emoções gostosa e prazerosas. Todas sem exceções são aprazíveis.

“A intolerável face do ciúme” é mesmo uma bomba que, depois de armada, explode cedo ou tarde. “A perseguida” me arrancou risos como se estivesse em um show de humor, me fez compreender o poema de Raimundo correia “As pombas”. Me fez conhecer uma grande atriz e escritora “Bruna Lombardi”. Para quem não sabe ainda, é uma poetisa de mão cheia, capaz de nos sensibilizar mortalmente ao fundir sentimentos e metáforas ousadas: “Você pode me empurrar pro precipício / não me importo com isso/ eu adoro voar”. "O segredo da borboleta" me causou uma curiosidade tamanha que estou pesquisando o preço do livro da escritora Toni Tucci, pretendo adquirir. O "Estranho amor" é mesmo uma uma insanidade sem vergonha, como pode um homem se apaixonar por uma cabra e ainda por cima chegar "às vias de fato" Em todas uma sensibilidade particular. Nas palavras de André Gonçalves: “em seu Um Beijo Na Bunda, Wellington vai um pouco além do transpor seus muros para um livro”.

Essa leitura prazerosa foi regada a deliciosos chocolates que minha amiga Lúcia Aguiar me presenteou. Tabletes de chocolates ao leite com traços de castanha de caju, amendoim, nozes, amêndoa e avelã. Hummm... Uma doçura.


#lerépreciso #alimentandoamente #adoro #obrigadapeloschocolatesLúcia 

DE REPENTE 30


- De repente! Uma linda idade;
- De repente! Um período intensamente bem vivido;
- De repente! Algumas histórias pra contar, perseverança provada, vitórias alcançadas.
- De repente! Uma linda mulher; não sou modesta, muito menos “feia”, a beleza é subjetiva, e assim me vejo – Bela. (risos)
- De repente! Em alguns momentos cometi erros, refleti, voltei e tentei refazer. Alguns corrigi, outros esqueci. Aprendi a me perdoar, não vale à pena remoer o que não dar pra concertar.
- De repente! A conversa. O amor, simples assim, todas as manhãs um belo sorriso de bom dia, todas as noites um beijo de boa noite, nesse meio termo algumas divergências, um bom diálogo e os desacordos se resolvem. Seguimos vivendo e amando, apaixono-me todos os dias, sou bem resolvida.
- De repente! Independente, é maravilhoso, às vezes árduo. Tempo de criança é só saudade, agora tudo é responsabilidade, conta a pagar e problema a resolver. Manter o equilíbrio é fundamental para uma boa convivência social.
- De repente! Professora, Educadora, Administradora, dona de casa e sonhando em ser empresária, porque acredito na capacidade empreendedora e tenho fé “o firme fundamento das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem”. (Hb 11.1) Sonhar me movimenta.
- De repente! A poesia me embala todos os dias. Em um mundo onde a realidade é “injusta e cruel” fugir por entre as palavras me acalma, relaxa meu espírito, alivia o stress e me perpetra mais humana.
- De repente! Você percebe que algumas pessoas não são amigos, outras nos surpreendem com tanta sinceridade e amor que passam a ser, independente do status, da distância, da circunstância. Apenas sabem ser e são com maestria.
- De repente! Vejo várias formas, sinto vários cheiros, provo diversas oportunidades, abuso da maquiagem e um batom vermelho me cai bem. (Adooooro)
- De repente! Acredito em Deus, amo Jesus Cristo e creio na intercessão inexprimível do Espírito Santo, creio na certeza da salvação e no poder da oração. Aprecio esse verso bíblico “Quando orares, vai para teu quarto e, após ter fechado a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará plenamente”(Mt 6.6). Contemplo a discrição espiritual.
-De repente! 30 anos, com muita disposição para uma longa estrada trilhar. Amar. Valsar. Cantar. Encantar. Poetizar. Enfim, viver na terra, banhar de mar, desejo senti esse ar no peito por muitos anos pulsar. (Noelia Alves)‪#‎Derepente30anos‬ ‪#‎Niver‬

sábado, 20 de julho de 2013

ALIANÇA EVANGÉLICA APOIA CAMPANHA "ELEIÇÕES LIMPAS"

Aliança Evangélica apoia campanha “Eleições Limpas”

A Aliança Cristã Evangélica Brasileira anunciou seu apoio ao projeto de iniciativa popular “Eleições Limpas”, elaborado pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) – o mesmo que idealizou a Lei da Ficha Limpa. 

Para a Aliança Evangélica, “esta proposta trabalha com o que é necessário, possível, viável, alcançável agora, de modo prático e objetivo, sem idealizar para fora da realidade e possibilidades do Estado de Direito”.

O projeto propõe acabar com o financiamento feito por empresas privadas e coloca um limite de R$ 700 para doações de pessoas físicas aos candidatos. A decisão de incluir as medidas no projeto decorreram da constatação de que apenas três setores da economia fazem doações de forma significativa: as empreiteiras, os bancos e as mineradoras. “É uma pequena fração do empresariado que tem interesses imediatos na ação do Congresso Nacional. Pesquisa da Universidade do Texas mostra que para cada real investido nas campanhas [pelas empresas] houve um retorno da ordem de R$ 8,5. Não se trata de doar, mas de adiantar um dinheiro que voltará na forma de dinheiro público”, explicou o coordenador do MCCE Márlon Reis.

De acordo com o MCCE, dos 513 deputados atualmente eleitos, 369 foram os que tiveram as campanhas mais caras. “Não há igualdade de disputa entre aqueles que dispõem dos milhões das empreiteiras, dos bancos e das mineradoras e os outros, que não têm acesso a esses recursos. É desigual e o resultado são eleições dirigidas economicamente”, disse Reis.

O projeto prevê ainda a eleição para o Legislativo em dois turnos. No primeiro, os eleitores votam nos partidos e é definido o número de cadeiras que cada sigla terá direito. No segundo turno, ocorre a escolha dos candidatos em cada lista partidária. O novo projeto de lei também dá mais liberdade de expressão aos cidadãos nas redes sociais e na internet em relação ao debate eleitoral.

O MCCE ressalta que para implementar as mudanças propostas não é necessário alterar a Constituição vigente. “O projeto não tem nada que precise mudar a Constituição. Ja vai ser muito dificil alterar a legislação ordinária. Se nós quiséssemos incluir emendas constitucionais estaríamos fadados ao fracasso. Para lei, é necessário 50% mais um dos legisladores presentes. Para a questão constitucional, passaríamos a ter exigência de três quintos do número total de deputados e senadores, em duas votações, em dois turnos, em cada casa”, destacou Reis.

“Não devemos confundir eventuais desgostos com políticos específicos, ou posições partidárias, com justas reformas do sistema político. Esta mudança no sistema poderá resultar num parlamento melhor, que poderá fazer leis melhores, e até aprofundar mudanças no sistema eleitoral futuro”, pondera a Aliança Evangélica.

A campanha de assinaturas para o projeto começou. Até agora – só pela internet - quase 60 mil pessoas assinaram, mas o caminho ainda é longo. Para que a proposta seja oficialmente apresentada ao Congresso Nacional e comece a tramitar é preciso do apoio de 1% do eleitorado, ou 1,6 milhão de pessoas. Para assinar a petição, o cidadão pode acessar o site da campanha. São válidas assinaturas feitas pelo site e também em papel. O prazo para reunir as assinaturas necessárias termina no dia 4 de agosto. Para a lei ter validade nas próximas eleições, em 2014, o Congresso Nacional precisa aprovar o projeto e publicá-lo até 4 de outubro de 2013.

Conheça a proposta do Projeto de Lei por iniciativa popular "Eleições Limpas" na íntegra neste link.

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Com informações da Agência Brasil e da Aliança Evangélica.


FONTE: Revista Ultimato

sexta-feira, 3 de maio de 2013

HOMOFOBIA OU ÁGAPE

Como se sabe, o “ágape” aparece na Bíblia em vários lugares. Aparece no sermão da montanha, quando Jesus constata, referindo-se ao dinheiro e às riquezas, e não a pessoas: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6.24).
 
Mas os exemplos de um amor ativo e construtivo são ainda mais abundantes na Bíblia. Em João, vemos Cristo exortando os seus discípulos dizendo: “Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor” (Jo 15.9).
 
Aparece na carta de Paulo aos Coríntios, principalmente no trecho de 1 Cor. 13 que, de tão famoso virou música popular no Brasil, o hino ao amor, que começa: “Ainda que [...]”, e segue: “sem amor [...]”.
 
Será que isso também se aplica à nossa atitude em relação aos homossexuais? Mas o que é “homofobia”? Como se sabe “fobia” significa “medo”, “pavor”, no sentido de “repulsa”.
 
Voltemos à Bíblia. Em 1 João, somos instruídos sobre o “mistério” de toda a vida e espiritualidade cristãs: “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4.16).
 
Mais adiante, em 1 João ainda, diz-se sobre o medo que o amor é seu antídoto: “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 João 4.18, grifos meus).
 
Ou seja, somos advertidos de que as atitudes de medo revelam a falta do verdadeiro e autêntico amor cristão.
 
Mas o trecho que considero mais importante é quando perguntaram a Jesus, qual ele achava ser o maior mandamento de todos, e ele responde: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lc 10.27).
 
Muitos cristãos têm se escandalizado ultimamente com a legalização de casamentos entre pessoas homoafetivas. Por outro lado, muitos não cristãos (e cristãos, como eu), se escandalizaram com as palavras homofóbicas daquele deputado e pastor Marco Feliciano, que gerou tanta polêmica no país (que até se esqueceu de assuntos tão mais urgentes quanto os “finalmentes” do mensalão). Mas qual lado está certo?
 
Quer um cristão apoie o movimento gay, quer seja contra ou esteja em cima do muro, uma coisa é certa: temos que amá-los (las) de todo o nosso coração, sem acepção de pessoas. Foi isso que Jesus ensinou e é isso que temos que fazer diante das polêmicas. Acontece que muito cristão não vê as árvores em meio ao bosque. E parte para uma justiça do tipo “olho por olho” ou “com as próprias mãos”.
 
Isso está errado, e quem comete esse tipo de erro deve desculpas às vítimas dos seus preconceitos. Então, não é questão de “lado a tomar”, mas da expressão de amor para com aqueles que “Deus amou primeiro”.
 
Isso não quer dizer que o cristão deve dizer que “está tudo liberado”. Ou ser conivente com algum comportamento que a Bíblia desaprova. Não. Sabemos muito bem o que a Bíblia diz sobre a sexualidade (ou ao menos, espera-se que um cristão saiba).
 
Isso me faz lembrar um especialista em educação quando dizia em um programa televisivo: “Sexo não é questão de opção, como se escolhe uma roupa para vestir, como fazem crer muitos chavões sobre a homossexualidade, que tem confundido a cabeça de crianças e adolescentes”. E temos que ser muito firmes nessa abordagem.
 
Mas temos que cuidar para não jogar o bebê com a água do banho. O bebê, no caso, é a pessoa, cuja dignidade está acima de qualquer lei moral, pelo simples fato de ser criatura de Deus. É simples assim, ainda que extremamente complicado para nós, humanos, praticarmos. Em todo o caso, está em nossas mãos, pela graça que nos foi dada, dar um exemplo de equilíbrio e sabedoria à sociedade.
 
 
FONTE: Ultimato

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

SILAS MALAFAIA: O MACUNAÍNA EVANGÉLICO


O pastor Silas Malafaia e a apresentadora Marília Gabriela (Divulgação)
O pastor Silas Malafaia e a apresentadora Marília Gabriela (Divulgação)
José Barbosa Junior, no Crer é também pensar

No clássico Macunaíma, de Mário de Andrade, o Brasil conheceu a figura do herói sem caráter. Todos os povos gostam de ter seus heróis. Todos os grupos acham importantes as figuras dos heróis. Mas as minorias (ou aqueles que se julgam minorias) necessitam de heróis.
O povo evangélico, acostumado e já tendo assimilado a figura histórica de minoria no Brasil, não é diferente. Carece de heróis à medida que angaria, no decorrer de sua história, inimigos.

A figura do inimigo faz parte do modus vivendi evangélico desde sua chegada ao país (falo do contexto brasileiro, sem ignorar que isso não é privilégio nosso). Sempre precisamos deles. Quando aqui chegamos, os inimigos eram os católicos. Eram eles os inimigos da fé, aqueles que precisavam ser convertidos. Como fumavam, bebiam, frequentavam clubes, cinemas, casas de dança, a prática conversionista evangélica tratou de demonizar todas essas atividades (esquecendo que grande parte das missões evangélicas eram sustentadas pelas volumosas ofertas de plantadores de fumo da região do Texas/EUA). Até hoje carregamos traços desse momento histórico.
Outro inimigo voraz foi o comunismo. É óbvio que assim seria. A ética protestante no início do século XIX foi fortemente influenciada e influenciadora (num movimento de retroalimentação) do capitalismo que varreu o ocidente. Era preciso combater esse grande inimigo, perseguidor dos cristãos e favorecedor da ideologia ateia. Sem entrar no mérito da questão, só vale aqui dizer que, durante muitos anos, esse foi o inimigo a ser vencido. Livros e livros foram escritos sobre essa realidade, e aqueles que manifestassem qualquer tipo de pensamento de “esquerda” já eram tachados de comunistas e, muitas vezes, de satanistas.

Durante quase cem anos de presença protestante no Brasil os inimigos foram os católicos e os comunistas, até explodirem os movimentos pentecostais e suas vertentes de Batalha Espiritual. A essência belicosa protestante aflorou, agora nas regiões “celestiais” e os inimigos de carne e osso ganharam aliados “invisíveis” e as teorias de conspiração dominaram o pensamento evangélico. Nessa onda vieram os discos rodados ao contrário para se ouvirem mensagens satânicas, os filmes da Disney como fomentadores de destruição através de suas diabólicas mensagens subliminares e o movimento denominado Nova Era. Criou-se, desde então (e muitos ainda vivem nisso) uma neurose evangélica com tudo aquilo que faz sucesso, procurando as coisas ocultas e malévolas presentes em tudo. Paranóicos, muitos isolaram-se até mesmo de seus grupos cristãos, pois começaram a ver demônios em tudo.

Toda essa enorme introdução faz-se necessária para que entendamos o que está por trás do sucesso de nosso Macunaíma Malafaia: Nossa alma belicosa e nossa necessidade de heróis.

Malafaia não é bobo! Sabe dessa nossa sede de guerra (o nosso GENERAL é Cristo, lembram?), sabe da necessidade que toda “minoria” tem de ter aqueles que enfrentam os gigantes (transformando Davi na melhor alegoria das lutas contra os grandes e poderosos), sabe, como psicólogo, o quanto a mente infantil precisa de defensores, já que não sabe caminhar por adversidades.

Pois Silas Malafaia, o nosso “herói sem caráter”, assumiu, e bem, esse papel.
Dono de uma oratória inflamada, o verborrágico líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (denominação criada por ele numa divisão estrategicamente arquitetada) vestiu a capa de defensor da minoria evangélica (já nem tão minoria assim) e, quixotescamente, elegeu os homossexuais como seus moinhos de vento a serem destruídos.

Como os evangélicos precisam de heróis e tem uma relação com a sexualidade doentia e castradora, nosso Macunaíma encontrou terreno fértil para suas investidas e para angariar investidores. Claro! Nosso povo é capaz de doar o que não tem para alguém que vá defender a fé, tão atacada pelos nossos inimigos.

O personagem de Mário de Andrade, mentiroso, ardiloso, matreiro, fazia de tudo para alcançar o seu objetivo: a pedra Muiraquitã, presente de sua mulher e que, para ele, tinha propriedades mágicas.
Silas Malafaia tem sua Muiraquitã: o dinheiro! Isso fica bem claro a cada nova invenção para arrecadar ofertas. Desde bíblias de R$ 900,00 até a promessa de bênçãos materiais àqueles que ofertarem ao seu “singelo” ministério.
Malafaia representa, infelizmente, parte do pensamento evangélico brasileiro. A pior parte! Mas representa.

Malafaia representa o pensamento evangélico ainda belicoso, necessitando de inimigos e vociferando contra estes toda sorte de versículos bíblicos condenatórios, pois a Bíblia é a nossa arma, nossa metralhadora contra Satanás.

Malafaia representa a ganância evangélica pelo poder. Assume claramente que, apesar de não ser político, quer trafegar entre eles e influenciá-los. Sua sede de poder é latente, gritante. E, claro, celebrada pelo povo que “descobriu” que não pode mais ser “cauda”, tem que ser “cabeça”, nem que pra isso perca a cabeça e a “cauda”…

Malafaia é contraditório e “pilantra”! Porque, se conhece a palavra como diz conhecer, sabe que o que fala e promete é uma contradição. E, contradizendo-se, abusa, de má-fé, da boa fé das pessoas que acreditam nele, logo, é “pilantra”! E não sou eu quem o diz, é ele mesmo, em um vídeo antigo (da época em que ainda tinha bigodes e não tinha feito implante capilar) onde afirma categoricamente que “pastor que promete benção material em troca de ofertas é pilantra, é safado.”

Malafaia representa a ignorância do povo que, após crescer desordenadamente, se acha no direito de legislar e impor suas doutrinas e convicções a um Estado, composto de pessoas das mais variadas formações e tendências religiosas. Dane-se! O “deus verdadeiro” tem que ser empurrado goela abaixo daqueles que por anos o rejeitaram. Esse é o castigo por zombarem de Deus (fora o inferno que os aguarda, na “outra vida”).
Malafaia representa o ódio dos evangélicos por aqueles que não se enquadram em suas leis e dogmas. Suas palavras carregadas de preconceito e raiva, exalam algo que, nem de longe, faz lembrar a doçura e a mansidão do Mestre de Nazaré.

Malafaia é o herói que o povo evangélico quer… belicoso… ganancioso… brigão… vociferante… “corajoso”… mas é o herói sem caráter pois veste essa capa exatamente para ter em troca sua Muiraquitã… a grana que sustenta seus sonhos nababescos e extravagantes.

O povo vibra com a “coragem” de seu herói… que bate em quem for preciso, mesmo que depois procure espaço no “inimigo” (a Globo taí pra mostrar…). Não é raro ouvir a seu respeito: “não gosto dele, mas ele tem coragem de peitar todo mundo”. Quando ouço isso penso: “ele conseguiu! Vendeu a imagem de herói! E compraram a imagem vendida!” Para explorar o povo depois dessa imagem construída é um passo muito pequeno… e fácil!
Malafaia usa o pior dos ardis de um enganador: usar a verdade para mentir. Ele dispara sua metralhadora de versículos bíblicos e leva o povo belicoso, que adora ver o inimigo “metralhado”, ao delírio, certo de que, finalmente, surgiu alguém com coragem para enfrentar os “incircuncisos”…
Sei que muitos dirão: você está julgando! Não! Estou apenas apontando as ardilosas artimanhas desse senhor que se arroga representantes do povo evangélico brasileiro. Tire você mesmo as suas conclusões.

Minha esperança é que os olhos sejam abertos e a gana evangélica por heróis e inimigos seja expulsa de nós em nome de um amor que é capaz de amar os inimigos. E falo de Malafaia como um inimigo do Evangelho, que deve ser denunciado, mas amado… por mais difícil que seja. E por impossível que pareça, ainda creio que um dia ele possa se arrepender das negociatas em nome de Deus, e, como Zaqueu (não o da música, mas o da narrativa bíblica) devolver aos pobres aquilo que lhes foi roubado em nome de “Deus”.
Por enquanto, fico com a imagem de Macunaíma, o herói sem caráter… hoje, triste metáfora daquele que quer, por força, representar o nosso povo que se diz “povo de Deus”.

Com tristeza,

Fonte: Crerétambémpensar
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