domingo, 21 de junho de 2026

 


Há escritores que você admira pela técnica.
Outros pela inteligência.
Alguns pela beleza da escrita.

E há Caio Fernando Abreu.

Caio não pertence a nenhuma dessas categorias isoladamente, porque sua literatura não cabe em classificações simples. Ele não escreve apenas bem. Ele escreve como quem abre o peito sem anestesia e entrega, pulsando, tudo aquilo que muitos de nós passamos a vida inteira tentando esconder.

Ler Caio 3D: O Essencial da Década de 1980 foi uma experiência estranha, no melhor sentido da palavra.

Porque em algum momento deixou de ser leitura e virou espelho.

Um espelho às vezes gentil.
Às vezes cruel.
Mas sempre honesto.

Caio tem essa habilidade rara de entrar pelas frestas. Ele não arromba portas. Ele entra devagar, por uma frase aparentemente simples, por um diálogo cotidiano, por uma observação quase banal — e de repente você percebe que ele já está dentro, mexendo em gavetas emocionais que estavam fechadas há anos.

Talvez porque Caio compreendesse algo essencial sobre a vida: ninguém passa por ela ileso.

Todos carregamos alguma falta.
Alguma ausência.
Algum medo.
Alguma memória que ainda pulsa.

Como ele escreve, com a simplicidade brutal de quem entende a alma humana:

“Cada vivente com sua sina.”

Talvez seja isso.

Talvez todos nós sejamos feitos de pequenas e grandes dores, tentando coexistir com pequenas e grandes esperanças.

E Caio enxergava isso como poucos.

Seus personagens são humanos demais para serem confortáveis. Eles amam com medo. Desejam com culpa. Fogem enquanto querem ficar. Permanecem enquanto sonham partir.

São personagens profundamente imperfeitos.

Justamente por isso, tão reais.

Em suas páginas, encontramos saudade, carência, paixão, inadequação, desejo, solidão e aquela eterna busca humana por pertencimento. Não o pertencimento social, necessariamente. Mas algo ainda mais profundo: pertencer a si.

Talvez por isso Os Dragões Não Conhecem o Paraíso continue tão atual.

Seus dragões nunca foram monstros.

Sempre me pareceram pessoas intensas demais para caber em moldes pequenos. Pessoas que sentem em excesso. Que pensam em excesso. Que carregam incêndios silenciosos por dentro.

Gente que aprendeu a sobreviver sem jamais deixar de sentir.

E sentir, às vezes, dói.

Há um trecho que me atravessou de um jeito particularmente delicado:

“Fiquei imaginando tudo enquanto ele contava que ia ser um grande médico desses modernos que curam a cabeça dos outros, deixar todo mundo feliz o tempo todo, pra sempre, sem nenhuma culpa.”

Há algo quase inocente e profundamente melancólico nessa passagem.

Porque, no fundo, ela toca numa das maiores ilusões humanas: a ideia de que existe alguma forma definitiva de cura. Um lugar onde a dor finalmente acaba. Onde a culpa desaparece. Onde as feridas deixam de existir.

Mas Caio sabia.

A vida não funciona assim.

Ninguém cura completamente ninguém.

No máximo, nos atravessamos.
Nos afetamos.
Nos tocamos.
Às vezes ajudamos o outro a respirar melhor no meio do caos.

E talvez isso já seja muito.

Caio nunca escreveu sobre uma felicidade pasteurizada. Nunca vendeu soluções prontas para a dor de existir. Pelo contrário: ele entendia que viver é justamente aprender a caminhar entre as rachaduras.

Com medo, às vezes.
Com coragem, em raros momentos.
Mas sempre sentindo.

E talvez seja por isso que ele ainda seja tão necessário.

Porque vivemos tempos acelerados, barulhentos, superficiais. Tempos em que sentir demais quase parece inconveniente. Em que profundidade assusta. Em que vulnerabilidade é confundida com fraqueza.

Caio segue na contramão.

Ele nos lembra que sentir é inevitável.
Que amar bagunça.
Que a saudade volta.
Que a solidão visita.
Que a carência fala alto.

E que tudo isso também faz parte.

Há ainda um fragmento que carrega uma beleza silenciosa:

“E porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas esquinas encontram-se esses dois.”

Essa talvez seja uma das frases mais bonitas de Caio.

Porque fala de encontros.

Dos improváveis.
Dos inesperados.
Dos que parecem impossíveis até acontecerem.

A vida é feita dessas esquinas.

Esquinas externas, por onde cruzam pessoas.
E esquinas internas, onde versões nossas se encontram.

Quem fomos.
Quem somos.
Quem ainda estamos tentando ser.

Caio escrevia dessas esquinas invisíveis.

Dos encontros entre dor e afeto.
Entre ausência e desejo.
Entre solidão e pertencimento.

Se eu precisasse resumir Caio Fernando Abreu em uma palavra, não hesitaria.

Visceral.

Mas talvez visceral ainda seja pouco.

Porque Caio não escrevia apenas com a mente.
Nem apenas com o coração.

Caio escrevia com nervos expostos.

Com a carne da experiência.
Com a brutalidade da lucidez.
Com a delicadeza de quem sabia que, no fim, somos todos humanos tentando sobreviver aos próprios abismos.

E talvez seja por isso que sua literatura permaneça tão viva.

Porque enquanto houver saudade, medo, amor, ausência, desejo e essa eterna tentativa de entender o que fazemos com tudo isso…

Caio Fernando Abreu continuará necessário.

Não como quem oferece respostas.

Mas como quem acende luz, ainda que breve, dentro das partes mais silenciosas de nós.

E isso, talvez, seja uma das formas mais bonitas de literatura.

Aquela que não apenas lemos.

Aquela que nos lê de volta.


quarta-feira, 10 de junho de 2026

High Ticket e a pobreza das conexões


Outro dia ouvi novamente a expressão da moda: High Ticket.

Ela aparece em palestras, cursos, mentorias, reuniões e redes sociais. Surge quase sempre acompanhada de promessas grandiosas, gráficos ascendentes e fórmulas para alcançar uma vida supostamente extraordinária.

Em sua origem, não há nada de errado. Trata-se apenas de uma estratégia de vendas para produtos e serviços de maior valor agregado. O problema começa quando a lógica do mercado decide ultrapassar as fronteiras dos negócios e se instalar no território das relações humanas.

E parece que isso aconteceu.

Vivemos um tempo curioso. Nunca se falou tanto sobre conexões e nunca foi tão difícil encontrar encontros genuínos. As amizades ganharam nomes corporativos. Os relacionamentos passaram a ser avaliados pelo potencial de retorno. O afeto foi transformado em ativo. E a companhia de alguém, não raro, passou a ser medida pela utilidade que ela pode oferecer.

Há uma inquietação permanente em parecer pertencer.

A foto com a pessoa influente.

A mesa do restaurante certo.

O vinho correto.

O carro adequado.

O evento indispensável.

A legenda cuidadosamente construída para demonstrar sucesso.

Tudo parece precisar comunicar alguma coisa. Tudo precisa sinalizar status. Tudo precisa provar valor.

Mas, curiosamente, fala-se cada vez menos dos valores.

Pouco se conversa sobre lealdade. Sobre gentileza. Sobre caráter. Sobre coragem. Sobre a capacidade de permanecer quando não existe nenhuma vantagem em ficar.

Talvez porque essas virtudes não rendam fotografias tão impressionantes.

As amizades, em muitos círculos, deixaram de ser lugares de descanso para se tornarem espaços de negociação. Não se aproxima porque gosta. Aproxima-se porque pode ser interessante. Não se escuta porque importa. Escuta-se porque pode haver alguma oportunidade escondida naquela conversa.

É exaustivo.

Sinto falta das relações sem estratégia.

Das conversas que não pretendem vender nada.

Das risadas que não geram conteúdo.

Do café sem objetivo.

Do vinho simples compartilhado sem a necessidade de registrar o momento.

Da oração feita em silêncio.

Da amizade que permanece mesmo quando não há nenhum benefício envolvido.

Talvez o verdadeiro luxo dos nossos tempos não esteja nos ambientes exclusivos nem nas experiências premium.

Talvez o verdadeiro luxo seja encontrar alguém que não esteja calculando vantagens enquanto conversa com você.

Alguém que não precise transformar tudo em negócio.

Alguém que ainda saiba apreciar pessoas antes de apreciar posições, patrimônios ou sobrenomes.

Não tenho nada contra o High Ticket.

Tenho receio apenas de que, na tentativa de atribuir preço a tudo, estejamos esquecendo o valor das coisas que jamais deveriam estar à venda.

E seria uma enorme pobreza descobrir, tarde demais, que as melhores coisas da vida nunca tiveram etiqueta.

Noelia Alves

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CHOCOLATE AO LEITE E UM BEIJO NA BUNDA




Pense num livro bom: “Um beijo na bunda” de Wellington Soares, um volume de crônicas capaz de fazer o leitor rir, desejar, imaginar, sonhar, refletir e senti uma série de emoções gostosa e prazerosas. Todas sem exceções são aprazíveis.

“A intolerável face do ciúme” é mesmo uma bomba que, depois de armada, explode cedo ou tarde. “A perseguida” me arrancou risos como se estivesse em um show de humor, me fez compreender o poema de Raimundo correia “As pombas”. Me fez conhecer uma grande atriz e escritora “Bruna Lombardi”. Para quem não sabe ainda, é uma poetisa de mão cheia, capaz de nos sensibilizar mortalmente ao fundir sentimentos e metáforas ousadas: “Você pode me empurrar pro precipício / não me importo com isso/ eu adoro voar”. "O segredo da borboleta" me causou uma curiosidade tamanha que estou pesquisando o preço do livro da escritora Toni Tucci, pretendo adquirir. O "Estranho amor" é mesmo uma uma insanidade sem vergonha, como pode um homem se apaixonar por uma cabra e ainda por cima chegar "às vias de fato" Em todas uma sensibilidade particular. Nas palavras de André Gonçalves: “em seu Um Beijo Na Bunda, Wellington vai um pouco além do transpor seus muros para um livro”.

Essa leitura prazerosa foi regada a deliciosos chocolates que minha amiga Lúcia Aguiar me presenteou. Tabletes de chocolates ao leite com traços de castanha de caju, amendoim, nozes, amêndoa e avelã. Hummm... Uma doçura.


#lerépreciso #alimentandoamente #adoro #obrigadapeloschocolatesLúcia 

DE REPENTE 30


- De repente! Uma linda idade;
- De repente! Um período intensamente bem vivido;
- De repente! Algumas histórias pra contar, perseverança provada, vitórias alcançadas.
- De repente! Uma linda mulher; não sou modesta, muito menos “feia”, a beleza é subjetiva, e assim me vejo – Bela. (risos)
- De repente! Em alguns momentos cometi erros, refleti, voltei e tentei refazer. Alguns corrigi, outros esqueci. Aprendi a me perdoar, não vale à pena remoer o que não dar pra concertar.
- De repente! A conversa. O amor, simples assim, todas as manhãs um belo sorriso de bom dia, todas as noites um beijo de boa noite, nesse meio termo algumas divergências, um bom diálogo e os desacordos se resolvem. Seguimos vivendo e amando, apaixono-me todos os dias, sou bem resolvida.
- De repente! Independente, é maravilhoso, às vezes árduo. Tempo de criança é só saudade, agora tudo é responsabilidade, conta a pagar e problema a resolver. Manter o equilíbrio é fundamental para uma boa convivência social.
- De repente! Professora, Educadora, Administradora, dona de casa e sonhando em ser empresária, porque acredito na capacidade empreendedora e tenho fé “o firme fundamento das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem”. (Hb 11.1) Sonhar me movimenta.
- De repente! A poesia me embala todos os dias. Em um mundo onde a realidade é “injusta e cruel” fugir por entre as palavras me acalma, relaxa meu espírito, alivia o stress e me perpetra mais humana.
- De repente! Você percebe que algumas pessoas não são amigos, outras nos surpreendem com tanta sinceridade e amor que passam a ser, independente do status, da distância, da circunstância. Apenas sabem ser e são com maestria.
- De repente! Vejo várias formas, sinto vários cheiros, provo diversas oportunidades, abuso da maquiagem e um batom vermelho me cai bem. (Adooooro)
- De repente! Acredito em Deus, amo Jesus Cristo e creio na intercessão inexprimível do Espírito Santo, creio na certeza da salvação e no poder da oração. Aprecio esse verso bíblico “Quando orares, vai para teu quarto e, após ter fechado a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará plenamente”(Mt 6.6). Contemplo a discrição espiritual.
-De repente! 30 anos, com muita disposição para uma longa estrada trilhar. Amar. Valsar. Cantar. Encantar. Poetizar. Enfim, viver na terra, banhar de mar, desejo senti esse ar no peito por muitos anos pulsar. (Noelia Alves)‪#‎Derepente30anos‬ ‪#‎Niver‬

sábado, 20 de julho de 2013

ALIANÇA EVANGÉLICA APOIA CAMPANHA "ELEIÇÕES LIMPAS"

Aliança Evangélica apoia campanha “Eleições Limpas”

A Aliança Cristã Evangélica Brasileira anunciou seu apoio ao projeto de iniciativa popular “Eleições Limpas”, elaborado pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE) – o mesmo que idealizou a Lei da Ficha Limpa. 

Para a Aliança Evangélica, “esta proposta trabalha com o que é necessário, possível, viável, alcançável agora, de modo prático e objetivo, sem idealizar para fora da realidade e possibilidades do Estado de Direito”.

O projeto propõe acabar com o financiamento feito por empresas privadas e coloca um limite de R$ 700 para doações de pessoas físicas aos candidatos. A decisão de incluir as medidas no projeto decorreram da constatação de que apenas três setores da economia fazem doações de forma significativa: as empreiteiras, os bancos e as mineradoras. “É uma pequena fração do empresariado que tem interesses imediatos na ação do Congresso Nacional. Pesquisa da Universidade do Texas mostra que para cada real investido nas campanhas [pelas empresas] houve um retorno da ordem de R$ 8,5. Não se trata de doar, mas de adiantar um dinheiro que voltará na forma de dinheiro público”, explicou o coordenador do MCCE Márlon Reis.

De acordo com o MCCE, dos 513 deputados atualmente eleitos, 369 foram os que tiveram as campanhas mais caras. “Não há igualdade de disputa entre aqueles que dispõem dos milhões das empreiteiras, dos bancos e das mineradoras e os outros, que não têm acesso a esses recursos. É desigual e o resultado são eleições dirigidas economicamente”, disse Reis.

O projeto prevê ainda a eleição para o Legislativo em dois turnos. No primeiro, os eleitores votam nos partidos e é definido o número de cadeiras que cada sigla terá direito. No segundo turno, ocorre a escolha dos candidatos em cada lista partidária. O novo projeto de lei também dá mais liberdade de expressão aos cidadãos nas redes sociais e na internet em relação ao debate eleitoral.

O MCCE ressalta que para implementar as mudanças propostas não é necessário alterar a Constituição vigente. “O projeto não tem nada que precise mudar a Constituição. Ja vai ser muito dificil alterar a legislação ordinária. Se nós quiséssemos incluir emendas constitucionais estaríamos fadados ao fracasso. Para lei, é necessário 50% mais um dos legisladores presentes. Para a questão constitucional, passaríamos a ter exigência de três quintos do número total de deputados e senadores, em duas votações, em dois turnos, em cada casa”, destacou Reis.

“Não devemos confundir eventuais desgostos com políticos específicos, ou posições partidárias, com justas reformas do sistema político. Esta mudança no sistema poderá resultar num parlamento melhor, que poderá fazer leis melhores, e até aprofundar mudanças no sistema eleitoral futuro”, pondera a Aliança Evangélica.

A campanha de assinaturas para o projeto começou. Até agora – só pela internet - quase 60 mil pessoas assinaram, mas o caminho ainda é longo. Para que a proposta seja oficialmente apresentada ao Congresso Nacional e comece a tramitar é preciso do apoio de 1% do eleitorado, ou 1,6 milhão de pessoas. Para assinar a petição, o cidadão pode acessar o site da campanha. São válidas assinaturas feitas pelo site e também em papel. O prazo para reunir as assinaturas necessárias termina no dia 4 de agosto. Para a lei ter validade nas próximas eleições, em 2014, o Congresso Nacional precisa aprovar o projeto e publicá-lo até 4 de outubro de 2013.

Conheça a proposta do Projeto de Lei por iniciativa popular "Eleições Limpas" na íntegra neste link.

________
Com informações da Agência Brasil e da Aliança Evangélica.


FONTE: Revista Ultimato

sexta-feira, 3 de maio de 2013

HOMOFOBIA OU ÁGAPE

Como se sabe, o “ágape” aparece na Bíblia em vários lugares. Aparece no sermão da montanha, quando Jesus constata, referindo-se ao dinheiro e às riquezas, e não a pessoas: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro” (Mt 6.24).
 
Mas os exemplos de um amor ativo e construtivo são ainda mais abundantes na Bíblia. Em João, vemos Cristo exortando os seus discípulos dizendo: “Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor” (Jo 15.9).
 
Aparece na carta de Paulo aos Coríntios, principalmente no trecho de 1 Cor. 13 que, de tão famoso virou música popular no Brasil, o hino ao amor, que começa: “Ainda que [...]”, e segue: “sem amor [...]”.
 
Será que isso também se aplica à nossa atitude em relação aos homossexuais? Mas o que é “homofobia”? Como se sabe “fobia” significa “medo”, “pavor”, no sentido de “repulsa”.
 
Voltemos à Bíblia. Em 1 João, somos instruídos sobre o “mistério” de toda a vida e espiritualidade cristãs: “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4.16).
 
Mais adiante, em 1 João ainda, diz-se sobre o medo que o amor é seu antídoto: “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1 João 4.18, grifos meus).
 
Ou seja, somos advertidos de que as atitudes de medo revelam a falta do verdadeiro e autêntico amor cristão.
 
Mas o trecho que considero mais importante é quando perguntaram a Jesus, qual ele achava ser o maior mandamento de todos, e ele responde: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’” (Lc 10.27).
 
Muitos cristãos têm se escandalizado ultimamente com a legalização de casamentos entre pessoas homoafetivas. Por outro lado, muitos não cristãos (e cristãos, como eu), se escandalizaram com as palavras homofóbicas daquele deputado e pastor Marco Feliciano, que gerou tanta polêmica no país (que até se esqueceu de assuntos tão mais urgentes quanto os “finalmentes” do mensalão). Mas qual lado está certo?
 
Quer um cristão apoie o movimento gay, quer seja contra ou esteja em cima do muro, uma coisa é certa: temos que amá-los (las) de todo o nosso coração, sem acepção de pessoas. Foi isso que Jesus ensinou e é isso que temos que fazer diante das polêmicas. Acontece que muito cristão não vê as árvores em meio ao bosque. E parte para uma justiça do tipo “olho por olho” ou “com as próprias mãos”.
 
Isso está errado, e quem comete esse tipo de erro deve desculpas às vítimas dos seus preconceitos. Então, não é questão de “lado a tomar”, mas da expressão de amor para com aqueles que “Deus amou primeiro”.
 
Isso não quer dizer que o cristão deve dizer que “está tudo liberado”. Ou ser conivente com algum comportamento que a Bíblia desaprova. Não. Sabemos muito bem o que a Bíblia diz sobre a sexualidade (ou ao menos, espera-se que um cristão saiba).
 
Isso me faz lembrar um especialista em educação quando dizia em um programa televisivo: “Sexo não é questão de opção, como se escolhe uma roupa para vestir, como fazem crer muitos chavões sobre a homossexualidade, que tem confundido a cabeça de crianças e adolescentes”. E temos que ser muito firmes nessa abordagem.
 
Mas temos que cuidar para não jogar o bebê com a água do banho. O bebê, no caso, é a pessoa, cuja dignidade está acima de qualquer lei moral, pelo simples fato de ser criatura de Deus. É simples assim, ainda que extremamente complicado para nós, humanos, praticarmos. Em todo o caso, está em nossas mãos, pela graça que nos foi dada, dar um exemplo de equilíbrio e sabedoria à sociedade.
 
 
FONTE: Ultimato
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