terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

SILAS MALAFAIA E A TEOLOGIA DA ESTUPIDEZ


Silas Malafaia e a Teologia da Estupidez: Homossexuais e Bandidos?

Alyson Freire

Não há surpresas ou novidades quando o pastor Silas Malafaia fala. Cada vez em que é entrevistado ou empresta sua voz para algum programa de natureza política ou religiosa, assistimos e ouvimos o mesmo desfile de preconceitos, inverdades e sofismas. Bem sabemos que os disparates e infâmias habituais de sua retórica convicta e fundamentalista enojam e irritam. Entretanto, convém não perder a capacidade, e a paciência, de nos chocarmos e nem “acomodar com o que incomoda”, como diz a letra de uma bela canção.

E por que não devemos nos calar ou tão simplesmente dar de ombros, ignorar a ignorância? Porque o silêncio nos torna cúmplices da ignorância. Aliás, se é verdadeiro que em certas circunstâncias o silêncio pode ser mais eloquente do que a palavra, em outras o silêncio é o adubo fértil para o crescimento da ignorância e da barbárie. Por isso, cabe não calar. Falar a verdade ao poder e criticar os preconceitos é combater incansavelmente contra o silêncio que naturaliza ambos.

Voltemos, pois, a Malafaia, este paladino e missionário do ódio. Coube a jornalista Marília Gabriela a hercúlea tarefa de suportar o discurso de Malafaia, entrevistando-o em seu programa “De Frente com Gabi”. E se a jornalista por vezes se exaltou com as afirmações do pastor ou por este a atropelá-la em suas perguntas e raciocínios, penso que ela aguentou em nome de um compromisso com a verdade e com a sensatez; afinal, a mentira para ser desmascarada deve ser antes exposta.

O que disse o pastor desta vez? Num exemplo cristalino de homofobia cordial, disse que amava os homossexuais da mesma forma como ama os bandidos: “Eu amo os homossexuais como amo os bandidos”. Este amor misericordioso que Malafaia afirma cultivar não passa de um ardil ideológico que finge aceitar e acolher mas apenas para tentar “corrigir”, “reorientar”, “ajustar”. Em outras palavras, domesticar e “curar” a homossexualidade segundo os “meus valores” e “minha verdade”. Não creio que os homossexuais precisem deste amor denegador da liberdade e da autonomia individual. O amor de Malafaia é um amor tutelar, de correção moral e interesseiro.

A correlação valorativa entre “homossexuais” e “bandidos” é odiosa. Ela objetiva reforçar o vínculo entre homossexualidade e desvio, sustentando, sorrateiramente, a ideia de que a homossexualidade assim como o fenômeno da delinquência atenta e prejudica a sociedade. Em outros termos, a analogia diz o seguinte: os bandidos existem, são um fato social, mas precisamos mudá-los, puni-los e “ressocializá-los” para que não lesem a sociedade. Sem afirmar diretamente, Malafaia pensa o mesmo sobre os homossexuais; eles são um fato social, existem, mas precisamos corrigi-los para que não lesem à família, os bons costumes, etc..
A piedade e a compreensão amorosa do pastor são, com efeito, estratégias retóricas para a normalização pastoral e sexual. Nesse ponto, Malafaia se serve abundantemente de preconceitos e concepções de gênero, família e sexualidade que não se sustentam, nem do ponto de vista do conhecimento científico nem socialmente – haja vista todas as transformações culturais, sociais e jurídicas das últimas décadas.

Tentando atenuar os aspectos mais, digamos, etnocêntricos e interessados de suas opiniões, o pastor recorre a ciência em vez da religião pura e simplesmente; refugia-se em argumentos pseudo-científicos e pesquisas que nunca cita a fonte, Malafaia busca, com isso, preencher de autoridade, poder de verdade e neutralidade os seus preconceitos e sua intolerância. À bem da verdade, Malafaia achincalha a ciência – mais uma razão para não nos calarmos.

Quando prenuncia, num claro julgamento moral e especulativo, que a formação de famílias homoparentais ou a criação de filhos por casais homossexuais terá consequências sociais e psicológicas nefastas e nocivas, Malafaia esquece que, segundo Freud, a família independentemente das orientações sexuais do casal é a origem e o palco da maior parte dos problemas emocionais e psíquicos por conta dos conflitos subjetivos que envolvem a constituição do eu nas relações e identificações familiares. Aliás, a grande maioria das psicoses estudadas por Freud era produto das dinâmicas emocionais, repressivas e traumáticas da família vitoriana.

O artigo “Desconstruindo preconceitos sobre a homoparentalidade” dos psicólogos Jorge Gato e Anne Maria Fontaine cita diversos estudos psiquiátricos, psicológicos, sociológicos e antropológicos que desmentem as pré-noções estigmatizantes de que a criança em famílias homoparentais sofreria danos em seu desenvolvimento psicológico. Todos os estudos mencionados pelos autores foram unânimes na constatação da não-existência de uma excepcionalidade ou de diferenças substanciais que tornem a homoparentalidade especialmente danosa para o desenvolvimento emocional, cognitivo e sexual da criança em comparação às famílias heteroparentais. Inclusive, em algumas casos, de mães lésbicas, por exemplo, estudiosos verificaram um ambiente familiar no qual as crianças sentiam-se mais a vontade, livres e confiantes em discutir temáticas de caráter emocional e sexual, ocasionando um efeito positivo no desempenho escolar.

Em contrapartida, as dificuldades das crianças criadas em famílias homoparentais aparecem exatamente no plano das relações sociais, ou seja, obstáculos na aceitação e reconhecimento social por conta de contextos sociais discriminatórios como a escola. Mas, ainda assim, os estudos mostraram variações importantes nesse ponto a depender do país e região.
O que podemos concluir com os resultados das pesquisas científicas é que os problemas que estas crianças enfrentarão no futuro se devem precisamente de pessoas como Malafaia. Quer dizer, do preconceito, da intolerância e da ignorância que Malafaia pratica, semeia e propaga.

Portanto, o que atrapalha e lese o desenvolvimento psicológico e social é o preconceito e a intolerância, os quais Malafaia transforma em bandeira. As religiões se tornam nocivas à humanidade quando são eivadas de ódio e ignorância por profetas fundamentalistas e intolerantes que alimentam incompreensões.

Por mais que canse, devemos continuar a combater e criticar os absurdos odiosos do pastor Malafaia, pois ele, por sua retórica e status, goza de um poder de interferência na vida social capaz de favorecer violências simbólicas e físicas contra grupos e minorias sexuais que já tem de enfrentar práticas homofóbicas em seu cotidiano. Se não quisermos cair presas da retórica do preconceito e sua violência simbólica, devemos sempre exercitar a crítica pública. É com ela que podemos cultivar uma cultura de direitos humanos e de reconhecimento capaz de transformar uma esfera pública refratária ao debate racional dos direitos e das violências sofridas por minorias e grupos vulneráveis em uma esfera pública refratária a estupidez, a barbárie e ao preconceito. Para essa transformação ocorrer, então, é preciso jamais se cansar de se contrapor ao preconceito.

JEAN WYLLYS CHAMA SILAS DE "FALSO PROFETA"

Jean Wyllys chama Silas Malafaia de “falso profeta”
 Jean Wyllys chama Silas Malafaia de “falso profeta”
O debate do pastor Silas Malafaia com a jornalista Marília Gabriela no programa “De Frente com Gabi”, ontem, gerou muitas manifestações de apoio e também críticas a ambos os lados.
 
Em redes sociais como Facebook ficou evidente como o assunto provoca um debate acalorado toda vez que é mencionado. A afirmação do líder religioso que “ama os homossexuais como ama os bandidos”, gerou críticas de políticos. No Twitter, o assunto foi o mais comentado do Brasil na noite de ontem.

Um dos expoentes do movimento GLBT no Brasil, o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), usou seu perfil no Facebook para classificar o líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo de “semeador de ódio” e “falso profeta”. Em seguida publicou “Levantai-vos mulheres e homens das ciências! Não se calem ante a estupidez fundamentalista e o cinismo dos exploradores comercias da fé! Juntem-se a nós no enfrentamento dessa estupidez: ela ameaça a própria ciência!”.

O parlamentar que já teve outros embates públicos com Malafaia, questionou a “importância” do pastor. O problema, em sua opinião, é o fato de Silas ter programas de TV: “Gostaria de poder ignorar o mentiroso contumaz e falso profeta… Mas não posso: preciso saber quais as mentiras para poder desmascara-las. Se esse vendilhão do templo homofóbico e semeador de ódio não tivesse horário na tevê aberta nem falasse à grande mídia, poderia ignorá-lo. Muita gente com preconceitos arraigados e presa a dogmas religiosos vira terra fértil para as mentiras e o ódio que o vendilhão semeia…”.
Por outro lado, a ex-funkeira Perlla, hoje cantora gospel, disse ter se emocionado com o programa. “A Marília Gabriela está quase chorando já. Pastor Silas Malafaia só na palavra. Meu Deus. Demais! Me espelho muito”, escreveu ela no Twitter. Mas foi questionada pela apresentadora Adriane Galisteu pelo microblog.

“Você odeia homossexuais igual ao Malafaia, Perlla?”, questionou. Perlla não respondeu.

O programa abordou vários tópicos que envolvem a vida do pastor, em especial a reportagem da Revista Forbes que o coloca como o terceiro pastor mais rico do Brasil, possuindo patrimônio de US$ 150 milhões.  Também falou-se sobre a postura dele frente à causa gay.

“Eu não acredito que dois homens e duas mulheres tenham a capacidade de criar um ser humano” e “Se tiver pastor homossexual, ele perde o cargo”, foram algumas de suas colocações veementes.

FONTE: Gospel Prime

SILAS MALAFAIA "NEGOU A GRAÇA E PISOU NA CRUZ"

Silas Malafaia “negou a graça e pisou na cruz”, afirma Caio Fábio


Silas Malafaia “negou a graça e pisou na cruz”, afirma Caio Fábio


Os pastores Caio Fábio e Silas Malafaia já cerraram fileiras no passado. Nos últimos anos têm se atacado mutuamente pelos seus programas, o primeiro na internet e o outro na TV.

Ontem, enquanto ainda repercutia em diversos meios a entrevista de Silas Malafaia à jornalista Marília Gabriela no SBT, Caio usou seu site para o tipo de desabafo que lhe é peculiar. Desejando responder às perguntas que muitas pessoas lhe enviaram, disse que por estar viajando para Israel, não se limitou a comentar a entrevista. Deu sua opinião sobre a vida e a teologia de Silas.
Começou classificando Malafaia de “seletivo e malandro” em suas colocações. Classificou a teologia do líder da Vitória em Cristo de seletiva, pois se ateria mais ao Velho Testamento. Chamou de blasfêmia a afirmação feita no programa de Gabi que “a Bíblia manda que os pastores sejam ricos”. Pois para ele, o pastor da Assembleia de Deus faz uma “leitura seletiva, maldita, perversa” dos textos.

Ao comentar sobre a fortuna pessoal de Malafaia, acusou: “Tudo que ele tem está em nome de “laranjas”. Manda ele me processar. Eu sei como funciona o “esquema”. No fim tudo é dele. O avião é da “igreja”, mas, no fim, a “igreja” é dele. Aprendeu com Macedo. A escola é velha. Num país sério estaria na cadeia. Estelionatário e mentiroso”. Sobre a homossexualidade, assunto que já gerou rixa entre os dois, acredita que “Malafaia odeia sim. Tudo nele é ódio. Até para falar de amor ele odeia. Se constrange quando se pede que ele repita algo sobre amor aos gays. As bases “científicas” dele são as de um burro”.

Caia Fábio disse estar em paz quando faz esse tipo de colocação e que sabe que será criticado pelos evangélicos que concordam e gostam do ministério de Silas.

Curiosamente, chamou a entrevistadora Gabi de “a profetiza de Deus!”, pois “Reconheceu as “heresias”. Disse que não é possível que Deus responda a dinheiro”. Por fim, fez um alerta “Ai de ti Silas! Grande é o juízo que pesa sobre a tua alma angustiada!… Silas e Evangelho estão tão distantes um do outro como o diabo está de Jesus… Negou a Graça. Pisou na Cruz”.

FONTE: Gospel Prime
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