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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DEDICADO A ENNY LIMA

DEDICADO A ENNY LIMA


Dona de um dom
Que eleva
Que engrandece.

Por vezes questiona
Outras tantas se declara
Sua beleza demonstra
Sua tristeza exalta
Em belos versos
Suavizados pela rima.

Seu desejo pouco expõe
Mas quando mostra
Chega suar palavras
Lacrimejar quartetos
E a poesia desponta
Para alivio da alma.

Angustiada ou alegre
Versa, descreve, narra
Porque ler e escrever
Além de dom é prazer.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A COPA E AS ELEIÇÕES



VALDEMAR FIGUEREDO FILHO - Pastor da IB Central em Niterói (RJ)

A Copa terminou e o período eleitoral começou. O esporte oferece-nos exemplos para pensarmos na dinâmica da vida. Sei que a aproximação não é original, muitos articulistas com diferentes intenções já relacionaram os temas em questão. Quero aproveitar a ideia da pátria de chuteiras para tentar elaborar uma pedagogia política entre os batistas brasileiros.

Quando tratamos da seleção brasileira de futebol nos referimos regularmente à questão do comando. Por mais que o povo seja iniciado e se diga entendido, quem define o comando da equipe não é a voz popular, sequer uma junta representativa. Os jornalistas têm um poder de pressão muito grande (menor do que o poder dos proprietários dos meios de comunicação), mas não escolhem o técnico do time. Em poucas linhas, a democracia é um sistema em que a suposição básica é a de que a vontade do povo deve definir o Governo. O povo é chamado a votar para definir o que julga mais razoável em termos de políticos e políticas. O estranho entre nós brasileiros é que acompanhamos muito mais o trabalho do técnico, que não escolhemos, do que dos políticos, que elegemos.

A Copa do Mundo acontece a cada quatro anos. As eleições para presidência da república, governos dos estados e para o parlamento federal também. É impressionante como o país pára enquanto a bola rola. Daremos nestas eleições o mínimo de atenção para ouvir e comparar? Na ciência política há uma teoria chamada de elitista, que diz em linhas gerais o seguinte: Em toda sociedade uma minoria organizada (elite) domina uma maioria desarticulada (não-elite). Não estou pregando aqui o plano megalomaníaco de Edir Macedo e sua turma de os evangélicos elaborarem um plano de poder, mas tão somente que tenhamos uma atuação responsável enquanto cidadãos e grupo religioso (batistas).

Os atletas que foram selecionados para vestir a camisa do Brasil na Copa atuaram e foram devidamente avaliados segundo os nossos critérios. Mesmo com a frustração nacional diante do resultado obtido pela equipe, alguns atletas agradaram. Na formação do grupo que vai representar o Brasil na próxima Copa, quem você acha que merece continuar e quem deve ser cortado da lista? Pois é, representação política é exatamente isso. Você escolhe. Você acompanha o desempenho. Você estabelece critérios de bom desempenho. E quando chamado a votar você elege um bom representante.

No futebol é um tal de jogador erguer as mãos para o alto, fechar os olhos e proferir palavras de ordem... Nada contra. Os símbolos sagrados são usados dentro de campo e nós, que somos evangélicos, conseguimos com certa facilidade identificar os de casa. No entanto, imagine um técnico evangélico que usasse como critério de seleção o pertencimento religioso? No parlamento não é muito diferente. Pelo discurso descobrimos logo os políticos evangélicos. Eles também acionam a simbologia que nos é típica. Ora, isso não os credencia necessariamente para serem os nossos representantes. O critério para o voto na arena política precisa ir além da mera simpatia ou identidade religiosa. Avalie o desempenho político dos que se oferecem para representar o segmento evangélico. Estabeleça critérios de competência e de correção pessoal para selecionar os seus representantes.

O futebol é um esporte que move milhões de apaixonados. Para a grande massa, futebol é diversão e paixão. Por isso mesmo, o futebol é um negócio que move milhões de reais. Para alguns, o futebol é um mercado rentável. As campanhas de marketing milionárias e os contratos financeiros de cifras astronômicas dão conta de que o mundo da bola foi reduzido ao mundo dos business. A política não pode ser reduzida a disputas de grupos (partidos) uniformizados que se alternam no pódio. Sabemos que nos bastidores e nos corredores não são poucos os que fazem da política um balcão de negócios. Na versão evangélica, enriquecem para a glória de Deus! A representação política evangélica tem uma relação umbilical com as concessões de radiodifusão na Câmara Federal. Logo, boa parte das emissoras de rádios e televisão que informam, entretém e inspiram o povo evangélico no Brasil foram adquiridas como moeda de troca política.

Meus irmãos, corar de vergonha já é alguma coisa, mas é pouco!.



PORTAL BATISTA

CADÊ MINHAS LEMBRANÇAS FELIZES?


Arte de James Ensor

De todas as conversas que tive com minha mãe, só lembro aquela que me magoou.
 
De todos os nossos longos e curtos diálogos no carro, no ônibus, em casa, nas praças, nas caminhadas pelo bairro.
 
Milhares de cumprimentos, de abraços, de risos, de colos, de palavras de incentivo, de piadas e recordações, e o que guardo é ela dizendo que não presto.
 
Uma única vez em que não prestei entre um turbilhão de outras em que fui tratado como um príncipe.
 
Por que essa ingratidão memorativa? Por que essa desigualdade evocativa?
 
De todas as conversas que travei com meu irmão, só conservo a que nos separou.
 
A gente fez castelo juntos, jogou futebol, armou casinhas, confabulou planos, inventou segredos; centenas de dias ensolarados e noites de insônia partilhadas e agora desaparecidas entre o hipocampo e o córtex frontal.
 
O que ficou de agradável: nada.
 
Estou por concluir que a memória abomina a felicidade.
 
Não cuidamos dos positivos das lembranças, apenas colecionamos os negativos.
 
Não nos esforçamos para guardar os bons momentos porque temos a ideia – equivocada – de que são obrigatórios.
 
Há o entendimento de que normalidade é acumular glória na vida enquanto a dor é um acidente de percurso. Há a convicção de que a alegria é uma condição natural enquanto a cara fechada é uma exceção (não seria o contrário?).
 
Predomina em nós a compreensão ingênua da felicidade como facilidade e da tristeza como dificuldade. Ser feliz seria simples e ser triste consistiria numa tremenda injustiça.
 
Uma noção do mundo em linha reta, de amor em abundância, provocando o desperdício constante e perigoso.
 
Não preservamos as delicadezas, assim como não economizamos água, já que ela verte com ligeireza pela torneira da residência.
 
Não poupamos as cenas comoventes, assim como não economizamos luz, já que ela depende de um clique para clarear as paredes.
 
Não embrulhamos a ternura, esnobamos. Parece que é um dever recebê-la, que nossa companhia precisa nos oferecer sempre o cotidiano mais precioso. Devoramos um bolinho de chuva pensando no próximo. Beijamos a boca de nossa mulher cobiçando o segundo, o terceiro e o quarto beijo.
 
O que é ruim é solene. O que é bom é descartável.
 
A morte se torna mais inesquecível do que o nascimento. O atrito surge mais consolidado do que o primeiro encontro. A ruptura se destaca diante dos acordes iniciais da amizade.
 
Temos amnésia da leveza, pois deduzimos que virá mais e mais no dia seguinte. Não criamos álbuns de nossas gargalhadas, mas recortamos as cenas rancorosas e amargas como se fossem definitivas e esclarecedoras.
 
Somos algozes da felicidade e, ao mesmo tempo, vítimas da infelicidade.
 





Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 28/08/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 17175

VERSOS DEDICADO


























Eu tenho uma amiga
Criada de leite de cabra
Leite materno não teve
Criada foi desse jeito

Tão frágil foi crescendo
Tão linda foi ficando
Cheio de força
Com belo sorriso

Hoje já é adulta
E vive de luta!
Em busca de ser feliz.

Se leite de cabra a criou
Ao crescer se educou
Grande e bonita ficou
Corações arrasou

É linda e bela 
Minha amiga que guardo no peito
E também no coração.


Ganhei de uma amiga Enny Lima - Obrigada amiga amo de verdade!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CAVANDO POÇOS

CAVANDO POÇOS

                 Por Noelia Alves

Na profundidade do poço humano
fluem águas doces
águas que jorram para a vida.

O ser que dele goza
vive em novidade de vida
é intenso e lindo
sua beleza é externada
pela bela paisagem
ao seu redor.

Cavar poços nos custa
Porém quando a água brota
Há satisfação e contentamento.

Cave seu poço
seu sonho, seu motivo
de viver.

Aos que se achegarem a você
dê de graça vida para beber
até que eles possam cavar seus
próprios poços.

Seja um poço que jorra alegria
e não uma cisterna que retém
desamor.

sábado, 25 de agosto de 2012

ACRÓSTICO - NOÉLIA





Acabei de ganhar um acróstico de uma amiga, que por sinal escreve divinamente bem.

Agradecida, será se eu sou tudo isso mesmo?...rsrsrs!

ACRÓSTICO - NOÉLIA

Nome forte entoante
Os grandes reconhecem
Essencialmente simples
Limiar da bela natureza
Impactante no olhar
Amante da vida

(Enny Lima)

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

APRENDENDO ALDRAVIA

Acabei de aprender sobre a poesia MINIMALISTA, ou ADRAVIA que Trata-se de um poema sintético, capaz de inverter ideias correntes de que a poesia está num beco sem saída. Essa forma nova demonstra uma via de saída para a poesia – aldravia. O Poema é constituído numa linométrica de até 06 (seis) palavras-verso. Esse limite de 06 palavras se dá de forma aleatória, porém preocupada com a produção de um poema que condense significação com um mínimo de palavras, conforme o espírito poundiano de poesia, sem que isso signifique extremo esforço para sua elaboração. Abaixo, aldravias de seus criadores:




aldravia
meu
verso
universo
em
poesia

Gabriel Bicalho


toda a escrita
na cabeça
uma pepita

Marco Bastos


tempo
ruge
ele
atras
convence
retem           

Enny Lima

pasado
presente
futuro
passe
viva
espere

Noelia Alves

 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A POESIA


















                  Por Noelia Alves

A poesia não me dar comida
Porém me eleva
E me faz viver
Ao ponto de correr
Para comida obter.

A poesia não me veste de pano
Ou linho fino,
Mas cobre minha vida
De amor, contentamento.
E gozo divino.

A poesia não me faz melhor
Do que alguém,
Porém me faz
Viver intensamente
Como ninguém.

A poesia é mesmo essa
Arte nos versos,
Capaz de fazer o poeta
Viver e eternizar.

Viver de prazer no verso
Eternizar no verso eternizado.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

GATUNOS


 











                          Por Noelia Alves

Como é bom ter um cargo público
Ter dinheiro e carrão
As pessoas ti dão atenção
Não basta ser simplesmente
Um bom cidadão.

Você pode até ser ladrão
É só ninguém saber
E se suspeito levantar
Um trocado cala
Outro que é dito cidadão
Gatuno ou gatão.

NÃO SEI O QUE "UNIVERSITÁRIO"

 
CANTOR VICTOR (QUÉM?!!!) DIZ QUE A MÚSICA SERTANEJO É MUITO RUIM... 
 
“A realidade é que, no momento, o sertanejo vai completamente em baixa. O momento da música sertaneja é caótico. O termo sertanejo está lá em cima, a música está lá no chão”.
 
DELICIE-SE COM OITO FRASES “TOP DE LINHA” DA POESIA UNIVERSITÁRIA DA MÚSICA QUE VENDE HORRORES (ôps!) - Traição conjugal, sexo sem compromisso e uso exagerado de drogas lícitas (entornar o caneco).
 
1 - Isso me irrita, isso me irrita, vazo pra gandaia e tô de novo na fita – Casa das Prima, João Márcio e Fabiano;
 
2 - Me persegue quando vou sair, será que ela é do fbi, na internet ela vive a fuça, desse jeito não da pra aguentar – Delegada da Paixão, João Neto e Frederico;
 
3 - No puedo más mi corazón, ta doendo aqui na solidão – Madri, Fernando e Sorocaba;

4 - E daí se eu quiser farrear tomar todas num bar sair pra namorar, o que é que tem? – E daí, Guilherme e Santiago;

5 - Todo dia seu teatro é exatamente igual, você finge que me odeia, mas no fundo Paga-pau – Paga-pau, Fernando e Sorocaba;

6 - Caiu bem direitinho você mesmo se entregou! Dançou, Daaançoouu! – Eu to jogando verde, Luan Santana;

7 - Que pescar que nada, vou matar a fome, lá ninguém se mete lá vai ter sete pra cada homem – Que pescar que nada, Bruno e Marrone;

8 - Se a mulherada é de primeira, fico até segunda feira, bebo até ficar tonto – Pega fogo cabaré, João Neto e Frederico.
 
 
João de Deus Neto

MOTIVO PARA VIVER AMANDO


 











                                   Por Noelia Alves

Eu vou esperar, eu vou ti aguardar,
meu amor, meu bem querer.

Aquele que irá embalar,
que irá comigo falsar,
que juntos iremos para casa jantar.

Pela manhã café tomar,
todos os dias uma festa tornar,
nosso lar e lado a lado andar.

Meu sonho, minha vida,
vou contigo viver e sonhar.

Divergências teremos,
mas em tudo seremos
Compreensivos, por amar.

O amor encobre um mar
de defeitos,
e faz de cada um,
motivo para viver amando.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

TERESINA

Há quem te queira apenas Capital,
Cheia de prédios, moderna, vertical.
Mas te queremos também horizontal,
cidade calma, arejada, tradicional.

Há quem te queira só central,
nervosa, agitada - comercial.
Mas nós te amamos também periferia,
de gente pobre, alegre, simples: natural.




Falar mal do teu calor é puro engano
dos que não conhecem teu calor humano
Os que só veem em ti o moderno e o novo
não percebem que a cidade é o povo
e que és mais que cidade - és a síntese
de um Estado que olha pro futuro
sem jamais esquecer seu passado.
 
 

Claro que te queremos grande, moderna, progressista,
mas te queremos eternamente ingênua e pura,
amiga, sentimental, sempre menina,
ternura antiga, flor mimosa - Teresina.

Paulo José Cunha






quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CINEAS SANTOS



Via facebook: João de Deus Neto

terça-feira, 14 de agosto de 2012

MÃEU TE AMO.



















              Por Noelia Alves

Dona de suas opiniões,
Não queira contrariar.
Temperamento severo,
Não pense em mudar.

Semblante sofrido da lida
De uma mãe bem vivida.
Ela faz, não fica só a falar,
Ela vai, quem quiser vai atrás.

Como mãe sempre me protegeu,
E às vezes uma tapinha me deu.
Foi necessário, se não eu ia
De mal a pior, como ela bem diz.

Não fui criada ouvindo eu te amo,
Da forma dela me demostrava,
E hoje não só demostro
Como também digo 

MÃEU TE AMO.


Dedico a minha mãe Mª das Graças Alves Silva,
Com amor e carinho.

DONA GRAÇA



    Por Noelia Alves

Ela assim. Não sei explicar, é dona das suas opiniões e não queira contrariar, devido esse temperamento ávido às vezes falta é matar, porém se  possível dar a vida para não ver seus filhos sendo maltratados, ela realmente me surpreende, quando eu penso que está bem, não está, não é humilde, mas é sincera e honesta, a palavra dela é uma sentença.

Ela faz não fala, ela vai não espera, ela enfrenta não aguenta qualquer insulto. Tento tirar uma boa lição nas suas atitudes, ela não consulta ela simplesmente toma a decisão. 

Observando meu avô percebi que é de família, está no sangue e mudar na altura do campeonato é difícil, o jeito mesmo é compreender. 

Não fui ensinada a dizer te amo, mas tenho me esforçado em aprender, e aprendizado sem prática para nada serve.

EU TE AMO MAMÃE.

Dedicado a Maria das Graças Alves Silva - minha mãe

INQUIETUDE NA MENTE



Por Noelia Alves

Eu ejaculo minhas opiniões, eu mostro um pouco do que penso, imagina se mostrasse tudo? Às vezes me arrependo, mais é o preço de quem tem opinião, prefiro assim a ser soldado cabeça de papel. Viver assim é mais emocionante.

Já tentei me aquietar, já tentei não me importar, mas fazer o que eu não consigo, eu não consegui ainda, quem sabe quando mais velha ficar, ou quando estiver madura, ou quase pôde, até lá continuarei a falar, são justamente as opiniões que geram debates produtivos.

A opinião é justamente isso, juízo ou sentimento, eu sinto, analiso e escrevo, como será interpretado no momento não me importa muito, mais de tanto falar besteira um dia eu acerto falar o que as pessoa querem ouvir ou não.
Se Jesus não conseguiu quanto mais eu irei. Fazer o que? Pago o preço por essas minhas intemperanças, eu acredito no que falo e penso, acredito tanto que às vezes não tenho coragem de fazer nem um poquinho do que essa imaginação me faz voar, me limito a pensar somente, assim somente eu sofro e não ponho em risco a integridade tradicional de muitos. Eu sei respeitar, isso eu aprendi, mas de vez enquanto gosto de alfinetar.

Não pretendo ser heroína, mártir ou qualquer outra coisa parecida, mas é de mim, ser esse ser inquietante, não me prenda, não procure me prender, me tenha com liberdade e serei fiel aos seus comandos.

Um dia eu aprendo a escrever.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A INTELIGÊNCIA DA ELITE SOCIAL BRASILEIRA

Henrique Abel no Observatório da Imprensa

Um dos preconceitos mais firmemente bem estabelecidos no Brasil é aquele que afirma que a culpa de todos os problemas do país decorre da “ignorância do povo”. A elite social da população brasileira, formada pelas classes A e B, em linhas gerais, está profundamente convencida de que o seu status de elite social lhe concede – como um bônus – também o título de “elite intelectual” do país.

Dentro desse raciocínio, a elite brasileira “chegou lá” não apenas economicamente, mas também no que diz respeito às esferas intelectuais e morais – talvez até espirituais. O país só não vai pra frente, portanto, por causa dessa massa de ignóbeis das classes inferiores. Embora essa ideia preconcebida seja confortável para o ego dos que a sustentam, os fatos insistem em negar a tese do “povo ignorante versus elite inteligente”.

O motivo é simples de entender: em nenhum lugar do mundo, a figura genericamente considerada do “povo” se destaca como iluminada ou genial. Por definição, uma autêntica elite intelectual de um país se destaca, precisamente, por seu contraste com a mediocridade (aí entendida como “relativa ao que é mediano”). Ou seja, não é “o povo” que tem obrigações intelectuais para com a elite social, e sim, justamente o contrário: é preferencialmente entre a elite social e econômica que se espera que surja, como consequência das melhores condições de vida desfrutadas, uma elite intelectual digna do nome.

Analfabetos funcionais 

Uma elite social que, intelectualmente, faça jus ao espaço que ocupa na sociedade, não apenas cumpre com o seu papel social de dar algum retorno ao meio que lhe deu as condições para uma vida melhor como, ainda, cumpre o seu papel de servir como exemplo – um exemplo do tipo “estude você também”, e não um exemplo do tipo “lute para poder comprar um automóvel tão caro quanto o meu”.

Tendo isso em mente, torna-se fácil perceber que o problema do Brasil não é que o nosso povo seja “mais ignorante”, pela média, do que a população dos Estados Unidos ou das maiores economias europeias. O problema, isso sim, é que o nosso país ostenta aquela que é talvez a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo, que repele qualquer espécie de intelectualidade autêntica precisamente porque acredita que seu status social lhe confere, automaticamente, o decorrente status de membro da elite intelectual pátria, como se isso fosse uma espécie de título aristocrático.

Nenhum país do mundo tem um povo cujo cidadão médio é extremamente culto e devorador de livros. O problema se dá quando um país tem uma elite social que é extremamente inculta e lê/escreve num nível digno de analfabetismo funcional. Pesquisas recentemente divulgadas dão por conta que apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, e que o número de analfabetos funcionais entre estudantes universitários é de 38%. A elite social brasileira possivelmente acredita que a totalidade desses 75% de deficientes intelectuais encontra-se abrangida pelas classes C, D e E.

Sem diferença

Será mesmo? Outra pesquisa recentemente divulgada noticiava que o brasileiro lê uma média de cerca de quatro livros por ano. Enquanto os integrantes da Classe C afirmavam ter lido 1,79 livro no último ano, os integrantes da Classe A disseram ter lido 3,6. O número é maior, como naturalmente seria de se esperar, mas a diferença é muita pequena dado o abismo de condições econômicas entre uma classe e outra. Qual é o dado grave que se constata aí? Será que o problema real da formação intelectual do nosso país está no fato de que o cidadão médio lê apenas dois livros por ano? Ou está no fato de que a autodenominada elite intelectual do país lê apenas quatro livros por ano? Vou encerrar o argumento ficando apenas no dado quantitativo, sem adentrar a provocação qualitativa de questionar se, entre esses quatro livros anuais, consta alguma coisa que não sejam os últimos e rasos best-sellers de vitrine, a literatura infanto-juvenil e os livros de dieta e autoajuda.

O que importa é ter a consciência de que o descalabro intelectual brasileiro não reside no fato de que o típico cidadão médio demonstra desinteresse pela vida intelectual e gosta mais de assistir televisão do que de ler livros. Ora, este é o retrato do cidadão médio de qualquer país do mundo, inclusive das economias mais desenvolvidas.

O que é digno de causar espanto é, por exemplo, ver Merval Pereira sendo eleito um imortal da Academia Brasileira de Letras em virtude do “incrível” mérito literário de ter reunido, na forma de livro, uma série de artigos jornalísticos de opinião, escritos por ele ao longo dos anos. Ou seja: dependendo dos círculos sociais que você frequenta, hoje é possível ingressar na Academia Brasileira de Letras meramente escrevendo colunas de opinião em jornais. Podemos sobreviver ao cidadão médio que lê dois livros por ano, mas não estou convencido de que podemos sobreviver a uma suposta elite intelectual que não vê diferença literária entre Moacyr Scliar e Merval Pereira.

“Vão ter que me engolir”

Apenas para referir mais um exemplo (entre tantos) das invejáveis capacidades intelectuais da elite social brasileira: na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma celebridade global havia perdido a compostura no Twitter após sofrer algumas críticas em virtude de um comentário que havia feito na rede social. A vedete, longe de ser uma estrelinha de quinta categoria, é casada com um dos diretores da toda-poderosa Rede Globo.

Bem, imagina-se que uma pessoa tão gloriosamente assentada no topo da cadeia alimentar brasileira certamente daria um excelente exemplo de boa formação intelectual ao se manifestar em público por escrito, não é mesmo? Pois bem, vamos dar uma lida nas sua singelas postagens, conforme referidas na reportagem mencionada:
“Almas penadas, consumidas pela a inveja, o ódio e a maledicência, que se escondem atrás de pseudônimos para destilarem seus venenos. Morram!”
“Só mais uma coisinha! Vão ter que me engolir, também f…-se, vocês são minurias [sic] e minuria [sic] não conta.”

Em quem se espelhar?

Não vou nem entrar no mérito da completa falta de educação dessa pessoa, que parece menos uma rica atriz global do que um valentão de boteco. Vou me ater apenas a dois detalhes. Primeiro: a intelectual do horário nobre da Globo escreve “minoria” com “u”, atestando para além de qualquer dúvida razoável que se encontra fora do grupo dos 25% dos brasileiros plenamente alfabetizados (ela comete o erro duas vezes, descartando qualquer possibilidade de desculpa do tipo “foi erro de digitação”).

Segundo: ela acha que “minorias não contam”, demonstrando, portanto, que ignora completamente as noções mais elementares do que vem a ser um Estado democrático de Direito, ou mesmo o simples conceito de “democracia” na sua acepção contemporânea. Do ponto de vista da consciência de direitos políticos, sociais e de cidadania é, portanto, analfabeta dos pés à cabeça.
Com os ricos e famosos que temos no Brasil, em quem o mítico e achincalhado “homem-médio” poderia mesmo se espelhar?

Referências:

***
[Henrique Abel é advogado e mestre em Direito Público]


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